Segunda-feira, Novembro 21, 2005
Mudei de endereço, esse blog tinha dado pau então mudei rsrs

www.ocontadordehistorias.blogger.com.br

Há braços!!!
Publicado por Paulozab por volta de 11:59 AM

Manifeste-se
Recomende Essa História


Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Streep pela webcan


No meio da minha insônia uma amiga decidiu acabar com o meu tédio... Segue as fotos mostráveis e autorizadas da apresentação particular via webcan do MSN.


Tease me please me
6:53 AM

Manifeste-se
Recomende Essa História


Sexta-feira, Novembro 11, 2005

Blogs e blogueiros de Macapá



A interação que a Internet nos proporciona permite que façamos algumas simulações da vida real, na verdade quando se fala em Internet não significa mais que estamos tratando de algo fora da realidade, pois é inegável, dentro do sistema que criamos, o uso de tão grande instrumento de informação para depositar e receber o conhecimento produzido. Claro que este é um posicionamento perfeitamente discutível, mas não se trata de questionar visões como a da antropologia, que nega a existência de sociedades superiores ou inferiores e usa apenas a divisão de sociedades mais complexas ou menos complexas. Daí podemos afirmar que quanto mais complexa é a sociedade mais ela precisa de conhecimentos dentro da área digital que inclui o uso da Internet e que as menos complexas podem chegar a níveis em que elementos dos "avanços tecnológicos" trazem contribuições quase inexistentes. Este texto se propõe a tratar de um elemento de uma sociedade inserida dentro do que poderíamos chamar de sociedades complexas que é a Cidade de Macapá e discorrerá em cima de um pequeno assunto inserido no universo virtual, os blogs.
As diversas formas de interação via Internet se dão, principalmente, entre indivíduos que não se limitam apenas a olhar um site ou abrir seu e-mail. As pessoas que usam a Internet como meio de comunicação ativa também formam grupos bem definidos em diversos âmbitos. É o caso dos grupos de discussão por e - mail, e as de bate papo por diversão e/ou trabalho como o Mirc, MSN, Skype, e também programas mais específicos como o Orkut que tem suas comunidades temáticas. No Estado do Amapá começa-se a criar-se um novo nicho, o de blogueir@s.
Um blog é uma ferramenta alternativa de comunicação em que, geralmente, uma pessoa (blogueir@) acaba assumindo a manutenção do mesmo que consiste, via de regra, em publicar textos inéditos e/ou de relevância em um determinado momento, mas este critério é bem mais amplo, pois acredita-se que fixar critérios para blogs só contribuiria para o empobrecimento dos mesmos assim como, apesar de existirem, não se perceber critérios para fanzines. Existem blogs de todas as linhas de pensamento e com características bem peculiares. Uns falam de sua vida particular, outros juntam tudo, fazem poesia e etc, outros tem linha jornalística sendo este o tipo mais comum, mas existem muitos outros.
Nas grandes cidades existem um tipo de sub divisão destes blogs, já que a linha de cada blogueir@ (pessoas que tem blog) varia bastante. Este é fator determinante para que existam visitantes de blogs que fazem resenhas de livros, por exemplo. Aqui no Amapá, devido ao fato deste ser uma prática não muito acentuada, estes nichos acabam não existindo ou sendo quase imperceptíveis. Seguindo exemplos de outros lugares aqui se tem blogs de características diferentes, mas não são suficientes para que estes(as) blogueir@s formem um grupo coerente que realize as interações referentes a prática mais fechadas em si como comentários, socialização de informação, links. Por isso é possível se conhecer todos os blogs de Macapá em um único dia.
Mas o fato de existir poucos endereços alternativos não é elemento determinante para que a qualidade da produção amapaense nesta área seja pouco satisfatória, pois não se deve negar a importância da existência de mecanismos alternativos de discussão. Seria interessante, para as pessoas que gostariam de ter acesso a tal mecanismo, saber que não se tratam apenas de informações enviadas de cima para baixo. Em cada texto publicado em um blog existe, ao final, um espaço para que o leitor possa emitir a sua opinião, sendo assim o leitor tem a oportunidade de interagir diretamente com a pessoa que escreveu o texto e até discordar ou acrescentar algo que foi postado. Assim acabamos fugindo da cultura de mecanismos de comunicação de massa que de imparcial não tem nada. Não se trata de afirmar que isso não exista ou possa existir neste micro universo (alguns tem até censura), mas para que se tenha acesso a uma página na Internet é preciso digitar o endereço e eles não se limitam a apenas alguns canais ou propriedade de A, B, C, G, S ou W. Existem muitas pessoas independentes que procuram exatamente o contrário que é publicar novas informações ou até mesmo dentro de suas idéias momentâneas, por mais que sejam absurdas elas sempre geram uma boa discussão.
No entanto ainda não vejo os blogs como um instrumento totalmente democratizado já que, como já foi dito, a própria Internet está longe de ser essencial ou economicamente viável para alguns restando assim poucos usuários que não fazem parte da massa dos chamados excluídos digitais. Esse debate em torno das características blogueiras particulares de Macapá se faz necessário a partir do momento que percebemos maior interesse por parte de novos visitantes e blogueiros neste micro mundo, principalmente neste ano de 2005 e servirá para que, futuramente, alcancemos boas referências de informações e idéias alternativas.
Publicado por Paulozab por volta de 4:11 PM

Manifeste-se
Recomende Essa História


Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Para início de conversa.


Pensei em ti neste último Domingo em casa. Sei que nem tivemos a oportunidade de levarmos um papo, mas devo confessar que estou gostando do que estou sentindo. Fazia tempo que alguém não me chamava a atenção do modo que tu me chamas, mas isso faz parte das viagens e construções que faço das pessoas, o problema é que nem sempre estou errado.
Não esperava ter te encontrado tão cedo. Tínhamos acabado de fazer contato, levei até um susto naquele dia que me chamastes, pois sua voz não era nada do que eu imaginava. A forma como tu compunhas as palavras também. Confesso que não te achei interessante. Fiquei sossegado não só porque estou acostumado, mas também porque, no fundo, ainda teve algo que me chamou a atenção de primeira e eu não sabia o que era, como até hoje não sei.
Da outra vez foi diferente, pois não era só o fato da hora avançada e várias fitas na mente que permitiram mudar meu ponto de vista e sim por te achar uma mistura interessante do que eu esperava no início e algo bastante misterioso, um grande labirinto a ser prazerosamente descoberto. O rosto bem feito de perfil e de frente e a aparente rebeldia reprimida por um mal estar que fazia-lhe parecer que estavas dando uma desculpa, seria o que eu pensaria se não tivesse teclado contigo no dia seguinte, mas eu não estava te ignorando e inclusive estava prestes s ir lá contigo pra sentar do teu lado, mas quando saí lá de dentro tu já tinhas ido. Também, no dia seguinte não fui ao local que combinamos porque acabei indo mais cedo para aquele lugar que querias ir e que eu, infelizmente, não pude te levar e me atrasei bastante naquela Segunda opção de encontro.
Olha só, queria te dizer umas coisas importantes antes de mais nada. Me dá licença pra ser mais sincero? É que, de fato, não estou apaixonado por ti. O que existe, na realidade, é um sutil desejo de te conhecer enquanto mulher e isso é algo que me faz sentir bem, pois não se trata de vulgaridade ou simples sexismo e sim uma necessidade que mistura o físico e o psicológico. Gostaria muito de escutar o teu gemido enquanto, esporadicamente, beijo a tua boca ao mesmo tempo que observo com máxima atenção a forma gostosa que deves mexer o seu quadril. Faria questão de sentir os teus cheiros. Qual seria a sua reação quando eu começasse a lamber e, cuidadosamente, morder os seus seios ou quando só restasse a sua calcinha a ser retirada? Espero que goste delas brancas, de algodão e com elástico confortável. Depois disso eu não colocaria a minha língua apenas na sua boca e em parte do teu corpo e sim, especialmente, nas suas intimidade.
Fico imaginado que, na primeira vez que terminássemos, ainda iria querer ficar um tempinho em cima de ti ou que tu fiques em cima de mim para que eu sentisse a tua respiração se acalmar e o teu suor se esfriar antes que eu fosse tomar um copo d´água e tu, talvez, acendesse um cigarro de alguma espécie. Depois eu voltaria a deitar contigo e passaria a tentar deixar-te mais a vontade, pois só assim eu voltaria para a harmonia em que estávamos antes daquela noite maravilhosa começar. Você e eu tentaríamos procurar conversar sobre qualquer coisa desde que não fosse a clássica conversa sobre "o que será de nós dois de agora em diante?". Então começaríamos a dar gargalhadas de tanto falar besteiras pra descontrair e eu tentaria fazer tu falar o máximo porque iria querer ficar olhando pra tua boca enquanto falas e de que forma organiza o teu pensamento para poder externa-los.
Depois destes importantes primeiros contatos poderíamos marcar vária histórias de todos os sentidos, estou querendo deixar de fazer certas coisas, mas estas poderiam funcionar como "as despedidas" e quando tu fosses embora eu ainda ficaria aqui, mas poderias, simbolicamente, levar embora o Paulozab porque o Paulo Rômulo precisa sobreviver.
Publicado por Paulozab por volta de 1:00 AM

Manifeste-se
Recomende Essa História


Domingo, Novembro 06, 2005

Iscrições para o Festival de Vídeo de Santana abertas na próxima semana.*


A Prefeitura de Santana promotora do Festival de Vídeo "Curta Santana Num Minuto" abre na próxima semana as inscrições em Macapá e Santana para concorrentes. Com três temas de abordagem, "Cidade e Turismo", "Cidade e Meio Ambiente" e "História e Cultura" os participantes concorrem aos três primeiros lugares: 1º R$ 2.000,00, 2º R$ 1.000,00 e 3º R$ 800,00, além de passarem por julgamento de júri popular e outras categorias como melhor diretor e melhor roteiro.
Paralelo ao Festival, na fase pré-festival a Comissão Organizadora, coordenada por Augusto Oliveira, vai realizar entre os alunos da rede pública de Santana, oficinas de roteiro, produção, criação, direção e cinegrafismo, como forma de estimular estudantes a participarem da iniciativa. Estes concorrerão em uma categoria "júnior" mas com direito a premiação. Durante o Festival, haverá programação cultural com apresentação de artistas e performaces. As oficinas serão ministradas por mestres na arte como Antenor Júnior, Célia Maracajá e Luis Arnaldo, estes são paraenses que estréiam nacionalmente neste domingo pela TV Cultura o filme "A Descoberta da Amazônia Pelos Turcos Encantados" que fala da religião do Tambor de Mina, culto de raízes afro, tradicional da Amazônia. O filme foi feito no Pará com produção e artistas locais. Nesta semana a Coordenação recebe a confirmação de um artista de cinema de renome nacional.
O regulamento estará à disposição de interessados nos locais de inscrição: em Santana, na Secretaria de Meio Ambiente e Turismo, no prédio da Prefeitura e em Macapá em local a ser definido até domingo.
Abaixo segue um texto-viagem sobre alternativas para quem quer participar do Festival.

Curtindo Santana em 1 Miinuto

Imagens, criatividade, luz e emoção. Além da idéia na cabeça estes ingredientes são importantes para quem quer participar do Festival de Vídeo "Curta Santana Num Minuto" que em dezembro vai premiar os três melhores vídeos que retratem em um minuto um pouco da vida e da história do povo santanense. O município, que atinge a maioridade, comemora a criação e independência da capital, até então Santana era mais um distrito, com pouca autonomia e raras perspectivas de crescimento, apesar de nele estar localizada a Área Portuária, por onde diariamente passam dezenas de pessoas, chegando ou saindo e porta de embarque e desembarque de mercadorias, riquezas e outros produtos.
Os participantes terão três temas para desenvolver: Cidade e Turismo, Cidade e Meio Ambiente e História e Cultura. Para estes concorrentes, estampar um pedaço deste pequeno município, de aproximadamente 100 mil habitantes e muita história pra contar, a tarefa vai ser ao mesmo tempo de encanto e descoberta. Por aqui, temos a lenda da Cobra Sofia, que por muito acreditou-se nela escondida embaixo do Porto do Grego e depois levantou-se a hipótese de ser ela, na verdade, um submarino em missão estrangeira, quem pode dizer a verdade? Outro atrativo é a escondida história do Forte Cumaú, que antecedeu a construção da Fortaleza e dele sobrou somente ruínas de construção e pouco registro.
A maior tragédia acontecida no Estado, o naufrágio do barco Novo Amapá, em 1981, também deixou marcas na cidade, é lá que estão enterrados um grande número de falecidos, reconhecidos ou não, iluminados ou não. Dizem que ainda hoje na Prefeitura, onde os corpos ficaram armazenados, é possível ouvir passos e vozes dos flagelados vagando por ali. A cidade cresce com identidade própria, apesar da proximidade da capital, as peculiaridades são fortes, o santanense tem orgulho de ser de lá. As poucas opções de lazer trazem muitos à Macapá, porém grande parte curte o domingo na Praça Cívica, o passeio de catraia, a travessia até a Ilha de Santana, onde através da trilha ecológica é possível descobrir o outro lado, onde dá-se de cara com o Recanto da Aldeia, com uma bela praia, palmeiras e o Rio Amazonas.
A cidade está crescendo, como um adolescente, criando vida própria, e nesse momento, o Festival de Vídeo vem dar a qualquer cidadão a oportunidade de contar um pouco destas e de outras histórias, algumas perdidas no tempo e na memória, mas com oportunidade de serem resgatadas e registradas. A premiação, grande estímulo do evento, além de boa pode ser um impulso profissional para o vencedor. No Festival terá ainda mostra do vídeos que foram apresentados em Macapá, oficinas para experientes e iniciantes, sarau pra esquentar as noites e essa chance inédita de ajudar a resgatar a história e retratar o dia a dia desta cidade e de seus moradores.

*MARILÉIA MACIEL
Assessora de Comunicação-SECOM/PMS
Publicado por Paulozab por volta de 9:27 PM

Manifeste-se
Recomende Essa História


Quinta-feira, Novembro 03, 2005

O Mercado Central de Macapá: Mais um Patrimônio Histórico ameaçado.




Uma antiga boneca sem braço ou um carrinho sem roda são o que poderíamos chamar de um brinquedo que já não nos serve, mas existe algo que nos faz manter estes e muitos outros objetos guardados em algum lugar. Estes representam para nós o nosso Museu Particular, pois neste caso, não é a função primeira do objeto que nos importa. Muitas vezes estes perderam a sua função de origem, mas olhando para eles fica mais fácil se chegar a algo que queremos guardar: as lembranças do nosso passado.
A importância de se lembrar do passado é inquestionável, pois é nele que se encontra acumulada tudo o que o indivíduo passou no decorrer de seus anos. Aprendizados, lições, experiências. A junção de tudo isso nos torna o que somos hoje: indivíduos únicos, pois cada um seleciona suas memórias de acordo com suas convenções, omitimos ao máximo as desagradáveis (isso quando ela não nos trás um grande aprendizado, o que é quase impossível) e fazemos de tudo para lembrarmos e repassarmos as boas. É nestes momentos que guardamos um objeto que acaba recebendo a nomenclatura de "lembranças", pois em si ele significa quase nada, mas nos remete a momentos muito importantes atuando como uma ponte entre o momento presente e um momento importante de nosso passado.
Mas estes objetos não existem apenas na nossa vida enquanto indivíduos. Podemos encontrá-los em formas bem mais ampliadas não só no tamanho, mas na sua área de abrangência porque representa a memória de um coletivo, é o caso dos Museus, e de nosso Patrimônio Cultural, por exemplo.
No caso dos Museus é comum se ouvir a conceituação de que "é um lugar onde se guardam coisas velhas", mas este conceito não estaria tão dissociado com o que fato representam os Museus se o termo "velho" não viesse com significado de "sem utilidad". O conceito de Museu é bem mais amplo do que de fato é reproduzido, pois o mesmo não é apenas "um lugar onde se guardam coisas antigas" e nem se limita apenas a um espaço físico que foi criado especificamente para isso.
Assim, o Patrimônio Cultural coletivo não se encontra apenas em uma exposição e sim em diversos ambientes, já que ele pode ter várias formas que nem sempre foram feitas para os fins a que se propõem naquele determinado momento. Um índio, por exemplo, nunca pensou em ver o seu arco e flecha e muito menos a sua casa no Museu Sacaca, assim como um ribeirinho não sabia que seus utensílios diários estariam em exposições na Europa e os construtores e trabalhadores de nosso Mercado Central não imaginavam que um local onde alguns mercadores, interioranos ou não, seria hoje um monumento que nos trouxesse tantas lembranças para o coletivo. Por isso o termo "resgatar nossa história" é muito estranho aos ouvidos dos Historiadores. O que temos são representações de nosso passado, que nunca volta.
Este tipo de patrimônio, portanto, deve ser mantido não como uma simples construção que está atrapalhando o "progresso" de nossa cidade e sim como mais uma obra que ajudará a nós e a nossa posteridade a compreender melhor nossa história. Sabemos, através de fotos e relatos, que Macapá já teve bastante casas e instalações antigas da época da construção da Fortaleza, mas estas foram quase todas destruídas antes mesmo que houvesse um pouco mais de consciência coletiva no que diz respeito a preservação de nossa história que pra ser estudada necessita também de monumentos como estes.
O Mercado Central se constitui em um riquíssimo Patrimônio para o povo do Amapá, pois não somente representa uma fonte para estudos arquitetônicos, mas, principalmente, por ter sido um local onde aglutinou e aglutina uma riquíssima diversidade de identidades amapaenses. Não se pode simplesmente deixar de lado tamanha construção para que se atenda a objetivos estritamente comerciais. Existem diversas maneiras de se valorizar uma obra como esta sem sacrificar a nossa memória. Seria o caso de uma estruturação em forma de galeria, por exemplo. É claro que temos como objetivo primeiro que tomar atitudes visando a não destruição do Mercado Central, mas seria o caso de pensarmos em o que fazer com ele. Não é necessário que ele seja sempre um mercado. Temos que olhar pelo ponto de vista dos trabalhadores que ali se concentram e seria razoável, como outra proposta, que eles fossem deslocados para um local estruturado enquanto se fizessem daquele espaço um descente Museu Histórico para a nossa cidade. Digo isso com muitas restrições, pois não é fácil ser despejado de um local onde se retirou o sustento de sua família por anos e anos.
Se observarmos aquelas imediações constataremos que existem construções que estão dentro da Planta original da Fortaleza de São José de Macapá que, por se tratar de nada mais do que o Banco do Brasil, dificilmente será derrubada. Será que não seria o caso, já que se precisa de um espaço na frente da cidade, dos senhores parlamentares e prefeitura interessadoos verificarem tal informação e não enviar os trabalhadores e parte de nossa história Mar Abaixo?
Publicado por Paulozab por volta de 1:20 PM

Manifeste-se
Recomende Essa História


Terça-feira, Novembro 01, 2005

Por uma nova História


O historiador Ciro Flamarion: superação iminente da metodologia pós-moderna

Pequeno é o número de historiadores, no Brasil, que abordam diretamente problemas do campo da epistemologia da História, menor ainda é o conjunto daqueles que se propõem esmiuçar proposições teóricas das quais discordam. É esse o mérito que de saída se pode apontar na obra e no último livro do historiador Ciro Flamarion Cardoso, Um historiador fala de teoria e metodologia. Mérito minimizado pelo questionamento de teorias adversárias a partir de comentaristas e não a partir das obras dos próprios autores colocados na berlinda.
O historiador, conhecido sobretudo por suas obras sobre métodos e teorias da história, declara-se um ferrenho combatente das linhagens teóricas herdeiras da hermenêutica, do estruturalismo, da filosofia da linguagem e do pragmatismo, que identifica como ''pós-modernas'', e às quais atribui, entre outros aspectos, a descrença em um sentido para a história ou na História, a morte do homem, o ataque ao evolucionismo, a negação da relevância do território (desterritorialização), o anti-realismo epistemológico, a visão da história como representação ou construção e a crítica da origem e da unidade.
Neste livro, em que reúne 12 ensaios, sete dos quais inéditos, Flamarion, mesmo nos capítulos em que se propõe traçar uma história das experiências historiográficas, parece sempre conduzir-se por uma espécie de reação às tendências da historiografia das últimas décadas - que qualifica de ''epistemologia em moda atualmente''. Não são poucas as vezes em que o leitor tem a oportunidade de encontrar afirmações apodíticas ou parágrafos conclusivos em que o autor declara sua simpatia por pensadores como Eric J. Hobsbawm e David Carr, sua convicção racionalista, sua opinião de que as ações do presente devem projetar um futuro melhor e sua crença em que nem as ideologias nem a História encontraram um fim. Não são, do mesmo modo, poucas as passagens em que se nota sua antipatia por pensadores como Nietzsche, Foucault, Derrida, Deleuze, Richard Rorty, Louis O. Mink, Hayden White etc., sua divergência com os proponentes de uma relação necessária entre economia de mercado e democracia representativa, seu temor quanto à dificuldade de sobrevivência de um registro erudito da linguagem com a concorrência das novas tecnologias audiovisuais e as fragilidades do ensino contemporâneo, por fim, sua rejeição às teorias que cindem a unidade do humano.
Mas se sua posição, embora claramente reativa, é digna de louvor pela afronta a tendências hegemônicas no nosso tempo, menos reconfortante é perceber que tais tendências, ainda que analisadas e criticadas no livro, são perfiladas como meros ''modismos'' e são aplanadas sob alguns temas genéricos. Cabe, diante disso, interrogar se é possível pensar em modismos já centenários ou quase? Cabe interrogar, acima de tudo, se é plausível, diante de proposições que lançaram desafios não somente para o saber histórico mas para todas as ciências, humanas, exatas e biológicas, apenas propor um passo atrás?
Na primeira das quatro partes do livro, o historiador percorre as noções de tempo e espaço, empenhando-se menos em defini-los do que em mapear as novas visões acerca da temporalidade, a tendência à culturalização da noção de espaço e as reflexões acerca da globalização e mundialização. Já aqui, depois de tratar da aceleração do tempo na segunda metade do século 20 - ligada à superabundância de eventos e resultante numa crise de identidades -, Flamarion contrapõe-se aos que negligenciam a noção de evolução e de sentido na História, aos proclamadores do ''fim da história'' e àqueles que minimizam o papel desmistificador da História-disciplina, colocando-a como uma entre as várias memórias construídas por uma sociedade.
Na segunda parte, três ensaios abordam questões epistemológicas em pauta nas últimas décadas. O primeiro ataque incide sobre um ponto central do dito pensamento pós-moderno, o anti-realismo epistemológico, descrente tanto no realismo do objeto quanto numa ordenação dos fatos reais independente daquela que é dada pela narrativa, ou melhor, numa história dada esperando para ser contada. Também aqui, para além de defender que a estrutura da ação (passado/presente/futuro) é comum ao texto e à vida, à narrativa e à realidade, o objetivo do texto é negar as posições pós-modernas.
O outro ataque recai sobre as negações (da origem, da presença, da unidade, da transcendência das normas) e assassínios (do Homem e da História) da ''epistemologia pós-moderna'', negações e assassínios que teriam sido desmistificados com a onda grevista francesa de 1995 - à qual Flamarion estranhamente atribui a revelação de que não haveria nada de inevitável no neoliberalismo.
Nas duas últimas partes, destinadas a examinar tendências e experiências históricas ao longo dos séculos, o historiador, sem medo, traça um panorama da historiografia ocidental, desde a Antigüidade até o século 20, com a finalidade de demarcar a profissionalização recente da História e conjecturar sobre o seu futuro próximo, futuro que, como desdobra no ensaio seguinte, fora ameaçado pelas incertezas que se abateram sobre a História no final do século 20. A preocupação de Flamarion é em anunciar a iminente superação da epistemologia ou metodologia pós-moderna, seja por sua propensão ao ''representacionalismo'', seja por seu impasse diante da ação, seja por seu multiculturalismo estático, seja por sua recusa das globalidades.
Em todas as etapas, o livro apresenta o mesmo fio condutor: a defesa da História das ameaças anti-substancialistas e ceticistas trazidas pela moda pistemológica. Tal moda estaria em desuso, e o momento impele para a reafirmação dos valores e ''verdades'' negados por quem, ingenuamente, quis estar na crista da onda.
Publicado por Paulozab por volta de 12:42 AM

Manifeste-se
Recomende Essa História


Moro em Macapá (sabem onde fica?), estudante de História, 22 anos, cabelo padrão, não curte muito o turno da tarde

Minhas Historinhas

Outras Histórias Blogadas

Alcilene Cavalcante
Alcinéa Cavalcante
Alcy Araujo
Antropófago Urbano
Babilonia
Bonfim Salgado
Caçadora de Palavras
Contos e Crônicas
Club Anti Social
Do Inferno
Ernâni Motta
Eu Penso Assim
Gargalo Quebrado
Labareda
Leitura Aleatória
Maloka Elétrica

Histórias em Sites

Registros Fotográficos

Um desconhecido
Camila Apple
Malungo
Prelude 75 mg
Esperimentais
Reino da Alegria
Parangaricotirimirruaro

Participe do Grupo de discussão dos blogueiros do Amapá

Neste momento, somos testemunhas de uma criação. ela desponta diante de nossos olhos, em plena luz do dia: um mundo surge do nada... E ainda assim existem pessoas que ficam entediadas! A maior parte do tempo o mundo desperdiça dormindo. A maior parte do espaço também. Apenas de vez em quando, ele esfrega os olhos e desperta para a consciência de si mesmo. - Quem eu sou? - Indaga o mundo - De onde venho? Por alguns segundos o pássaro raro pousou em nosso ombro.

Fale comigo, envie seu texto para ser publicado aqui. O endereço é paulozab@gmail.com

Arquivos históricos

Visitas

Powered by Blogger