Quinta-feira, Março 16, 2006
Mistério em Macapá: poder e investigação na ilha dos Tucujús. (Parte VII)



Em Brasília a Secretária do Juiz Marlon Santana pedia delicadamente para seu chefe falar mais baixo ao telefone. Ele estava berrando com alguém importante no outro lado da linha.
- Ficar calmo como? - dizia ele - o meu filho está agora com a cabeça estourada e o senhor me pede calma? Eu fiz toda a cobertura legal para que vocês conseguissem entrada livre nos parques de conservação sem o conhecimento do IBAMA e em troca recebo nenhuma proteção para a minha família?
- Mas o senhor disse que era impossível alguém saber do esquema - disse a voz com sotaque inglês - Se alguém matou seu filho a culpa é toda sua.
- Seu gringo de merda! Se alguma coisa acontecer comigo ou com qualquer outra pessoa da minha família o Governo brasileiro será o primeiro a saber. Uma coisa é vocês estarem em nosso país na clandestinidade e outra é um juiz denunciar a presença ilegal de vocês.
- Ilegal? Pensei que o senhor estivesse feito tudo para que parecesse tudo dentro da lei.
- E fiz, mas posso fazer com que não seja - ameaçou.
- Senhor Marlon, vamos procurar ser cavalheiros, estes assuntos não devem ser tratados ao telefone. Encontre-me amanhã no Amapá, no final da tarde, ok?
- Eu vou, mas fique sabendo que tenho todas as garantias pra me proteger.
- O senhor sabe que estes não são nossos métodos - concluiu e desligou.
O juiz Marlon, suado, devolveu o telefone ao gancho e ficou um tempo olhando para a Esplanada dos Ministérios. Estava com a aparência horrivelmente cansada. Havia passado as últimas horas entre o desespero da morte de seu filho e da possível descoberta do esquema que poderia levar à total destruição de sua carreira. Sua secretária, Jamile De La Roque, procurava ajuda-lo de todas as formas. "Se este telefone estiver grampeado estaremos perdidos" - repetiu ela várias vezes enquanto seu chefe fazia suas desesperadas ligações. Não havia, agora, muita coisa a fazer.
- Vamos descansar agora - disse ela em tom fraterno.
- Nosso vôo já foi marcado?
- Meio dia estaremos no Amapá.
- Então vamos embora. Espero que aquele investigador que o Senador Amaral indicou seja bom.
- Fui informada que ele só foi agora para o hotel porque estava esperando a perícia concluir seu trabalho. Chegou lá apenas três horas depois do ocorrido.
- Espero que até chegarmos o assassino já esteja preso.
Publicado por Paulozab por volta de 1:34 AM

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Mistério em Macapá: poder e investigação na ilha dos Tucujús. (Parte VI)




O motorista contornou o Canal da Av. Mendonça Júnior e estacionou em frente a um verde gramado ao lado do Forte. "Me espere aqui" - pediu o Detetive. Mas o motorista disse que era melhor ficar esperando na barraquinha próximo dali. Ele apontou e logo cooki pode ver um senhor de cabeça branca cuja barraca de bebidas estava escrito "Morpheu". Concordando o Detetive segui caminho.
Estava ainda olhando o quebrar do mar quando escutou um som familiar, era a voz de Janis Joplin cantando no outro lado da rua. Ele olhou e só viu uma Kombi marrom claro, uma lojinha de conveniências e alguns jovens bebendo, conversando e escutando o som.
Logo ele resolveu atravessar a rua para ver direito de onde saía o som, então viu que se tratava de um aparelho de DVD e uma Tv adaptado à Kombi, ali estava passando clipes de sua cantora favorita. Ele resolveu se sentar lá e pedir uma cerveja a um senhor que aparentava ter 40 anos e não muito amigável. Estava se sentindo muito bem agora. Achou divina a forma que um lugar que ele desprezava tanto o conquistou. Sentiu muita vontade de conversar com algum dos jovens que se encontravam ao lado, pois agora estava também se sentindo jovem e estava curioso para conhecer alguém do lugar. Olhou e viu que estava com sorte, pois viu um jovem moreno com a camisa da Janis e um cabelo engraçado. Sem muita cerimônia ele levantou e perguntou:
- Gostas da Janis?
Sem pensar muito e nem se assustar com a repentina intromissão de um desconhecido o rapaz olhou para a garrafa na mão do Detetive e falou:
- E tu gostas de cerveja?
- Só os tolos respondem uma pergunta com outra, não acha? - replicou Cooki.
- Como assim? - perguntou novamente o jovem e os dois caíram na risada.
- Como é teu nome? - perguntou o rapaz.
- Cooki Suzuki! - respondeu - E o seu?
- O meu nome não é importante, mas o seu não me é estranho. Enfim, tenho que ir. Uns amigos estão indo tocar em um bar perto do Araxá e eu vou pegar uma carona pra lá.
- Um que tem umas moças bonitas no balcão? Acho que acabei de passar pela frente.
- Esse mesmo! Ta a fim de ir lá?
- Sinto muito, não posso! Se eu te falasse o que tenho que resolver você não acreditaria, e por falar nisso tenho que ir embora. Vá lá e aproveite por mim.
- Então ta bom... Até outra vez Cooki.
- Tchau... Desconhecido.
Cooki Suzuki se dirigia agora para o hotel que fica há cinco minutos de onde estava. No peito trazia a sensação desconfortável de ter que trabalhar com assuntos tão desconfortantes. Pensou ele agora que sua juventude nunca voltaria a ser da mesma forma que era, ao mesmo tempo em que sabia que tinha aproveitado o máximo cada fase que viveu até ali, assim como aquele jovem que acabara de encontrar parecia estar vivendo. Mas o jovem Rafael Santana não teve a mesma sorte, pois agora se encontrava envolto a sacos plásticos e logo estaria enterrado sem ter a oportunidade de desfrutar da vida que a vida lhe dera.
Publicado por Paulozab por volta de 1:33 AM

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Mistério em Macapá: poder e investigação na ilha dos Tucujús. (Parte V)



O Detetive saiu deixando os demais Policiais com trabalho para a madrugada toda. O motorista que o aguardava perguntou para onde ele queria ir. "Para o hotel", respondeu. Então o motorista pensou no melhor caminho a seguir lembrando da recomendação de pegar as melhores ruas possíveis. Já com o roteiro em mente ele pegou a Rua Santos Dumont, já ia dobrar a Padre Júlio quando o Detetive, temeroso, pediu para que ele não pegasse um caminho muito óbvio. Seguindo na Santos Dumont o motorista dobrou a esquerda na Av. Feliciano Coelho, que se inicia no cemitério São José, ainda no Bairro Santa Rita.
- Antigamente enterravam-se os pobres aqui e os ricos lá no Centro, mas agora aqui lotou, jogaram o povão lá pra Zona Norte - disse o motorista, tentando quebrar o silêncio.
- Então o nosso jovem Rafael não virá pra cá e muito menos será enterrado na Zona Norte, não é isso? - falou o Detetive e os dois riram.
Seguiram na Av. Feliciano Coelho passando pela frente do Museu Sacaca. Continuaram na reta até a Rua Leopoldo Machado onde o motorista, seguindo o conselho do motorista de despistar o caminho, dobrou para a direita. Seguiram até o final da Rua onde os dois puderam escutar o som de Rock que vinha de um bar do outro lado da rua; Cooki olhou, mas só viu algumas pessoas no balcão, um cara de camisa preta escutando o som mecânico e alguns instrumentos a postos, mas sem músicos. O motorista seguiu para a esquerda até chegar ao Araxá onde viu, entre outros bares, um que estava tocando pagode. "Este povo do pagode está de Norte a Sul deste país, o interessante é que todos se comportam parecidamente", falou.
Ao passar pela areas de bares do Araxá, Cooki Suzuki viu, como o abrir de uma cortina, o Rio Amazonas. Ele quase não acredita no que vê. Uma lua que se espelhava em um mundo de águas turvas cujas ondas pareciam querer entrar no carro de tão alto que subiam ao bater na mureta de proteção do Bairro Santa Inês. Ele agora se lembrava de todas as histórias que ouvia na sala de aula em São Paulo. Ele ainda estava em êxtase quando descobre que o melhor ainda estava por vir: em sua frente, na borda do rio, uma gigantesca parede de pedra marrom se erguia. Sem demora ele lembra da imagem que viu em um documentário sobre o Estado.
- Esta é a Fortaleza de São José - disse o motorista orgulhoso.
Cooki, em um gesto de quem sai de uma ipnose pergunta ao motorista se não seria possível descer um pouco para fumar um cigarro. O motorista responde que não, mas a visita à Fortaleza só era permitida ao dia, mas que poderia leva-lo até um restaurante próximo.
- Tem algum que dê pra ficar vendo a Fortaleza?
- Restaurante não, mas o senhor pode ficar ali na Beira Rio que lá tem comida e fica próximo d seu hotel - respondeu o motorista com ar de turismólogo.
- Então vamos lá.
Publicado por Paulozab por volta de 1:33 AM

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Mistério em Macapá: poder e investigação na ilha dos Tucujús. (Parte IV)



Cooki Suziki tomou dois comprimidos de diazepam, um remédio controlado para pessoas com problemas cardíacos. Minutos depois ele já podia pensar com tranqüilidade. "Estou me desesperando a toa", falou pra si mesmo. De fato, a simples possibilidade de o assassino ser mais próximo da vítima não queria dizer que ele estava no meio de uma Guerra Civil. "Apenas cumpro ordens, quem vai ficar com a parte pesada é o povo do judiciário".
Meia hora depois o delegado Bruno desce as escadas. Em sua frente estão dois homens carregando a maca com o corpo do rapaz, em seguida descem os técnicos em perícia e um deles com um saco preto que estava protegendo a arma do crime.
- Quanto tempo até termos as digitais? - perguntou o Detetive Suziki.
- Acredito que antes do meio dia - disse o Delegado - Mas devo avisar-lhe que aqui não temos um banco de dados eficiente pelo qual possamos encontrar o criminoso através das digitais.
- Nem esperava que tivesse, já ouviu falar de um Banco de Dados destes em todo o Território Nacional?
- E como o senhor pretende usar os resultados?
- Só os tolos respondem uma pergunta com outra pergunta, Delegado Bruno. Mas deixe eu lhe ensinar mais esta: quando o culpado ou suspeito for pego poderemos comparar os resultados! Já jogou algum jogo educativo deste tipo?
- Já joguei sim Detetive Cooki! Mais alguma coisa antes de irmos embora? - perguntou o Delegado desejoso que aquela humilhação acabasse.
- Já quer ir pra casa? Por favor Delegado, deixe pra dormir quando isso acabar, sim? Enquanto esperamos os resultados vamos levantar alguns nomes ao amanhecer. Quero poder conseguir mandados onde eu quiser e quando eu bem entender. Por falar nisso, você sabe onde está o Juiz Marlon?
- Está em Brasília. Estava lá quando recebeu a notícia e lá permaneceu para estabelecer seus contatos, mas ele deve chegar junto com sua secretária amanhã, meio dia - disse um policial.
- Neste caso não me resta muito a fazer, vou para o hotel escutar a fita com o depoimento da Dona Luíza enquanto vocês fazem o levantamento completo da agenda do celular da vitima - ordenou - Em uma cidade deste tamanho não é difícil achar alguém. O complicado é escapar desta ilha - falou meio baixinho, mas sem esconder sua satisfação.
Publicado por Paulozab por volta de 1:32 AM

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Mistério em Macapá: poder e investigação na ilha dos Tucujús. (Parte III)



O Detetive tinha agora a explicação para a única coisa que poderia derrubar a sua hipótese. "O assaltante/homicida abriu o portão de dentro do quarto para poder sair, mas como havia entrado? Para conhecer o dispositivo ele também precisava conhecer a casa. Será que o assaltante era amigo da vítima?". Sendo assim o Detetive poderia considerar a possibilidade de um assassinato simples, pois "não faz sentido um amigo matar o outro para tentar assaltar a casa, principalmente se levar e consideração que para ser amigo do filho de uma pessoa importante teria que ter um padrão econômico razoável". Mas se fosse este o caso ficaria bem mais fácil encontrar o culpado, bastando fazer o levantamento das pessoas que freqüentam a casa, dar uma olhada na agenda telefônica do celular do rapaz, fazer alguns questionamentos e pronto. "É bem melhor assim do que sair atrás de um comedor de farinha quebra-dentes nestas ruas esburacadas" - confortou-se.
Enquanto fazia novas adaptações a suas hipóteses Cooki Suzuki tremeu no lugar onde seus pensamentos o levaram. "Já que era um amigo da família pode se dizer que se trata de uma figura importante dentro da sociedade amapaense, quem sabe um filho de um Senador ou Deputado?" Isso explicaria melhor o motivo dele ter sido chamado de tão longe: estava no meio de uma briga de pessoas influentes. Pela voz que falara com ele ao telefone ele pôde perceber a alta responsabilidade da missão a cumprir. Neste momento, Cooki Suzuki, em meio a toda a sua arrogância paulista, se sentiu pequeno e se sentiu pequeno e indefeso como um colonizador em terras estranhas em meio a uma etnia canibal no meio do mundo.
Publicado por Paulozab por volta de 1:32 AM

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Mistério em Macapá: poder e investigação na ilha dos Tucujús. (Parte II)




Enquanto os trabalhos de perícia eram realizados Cooki Suzuki aproveitou para dar uma olhada no terreno. Desde sua chegada, há pouquíssimo tempo, ele aproveitou para levantar algumas hipóteses, mas internamente já tinha suas próprias conclusões. "Trata-se de uma tentativa de furto mal sucedida" - imaginou conclusivamente. Ele não conseguia aceitar a possibilidade de um matador de aluguel deixar a arma no local do crime. A janela do quarto aberta também era um elemento que reforçava esta tese. "Provavelmente o assaltante se assustou quando viu a vítima sair do banheiro" - resmungou ele enquanto procurava na cerca elétrica algum vestígio por onde o bandido poderia ter passado.
O Detetive também não conseguia compreender os motivos que levaram pessoas tão importantes e influentes a ligarem pra ele no início da noite em uma missão em um lugar que ele só conhecia pelos livros de geografia e um ou dois documentários. Ele praticamente fora colocado a força em um jato particular que fez pouquíssimas escalas e em menos de três horas já estava no Amapá. "Desvendar o caso de um indiozinho de 25 anos que foi morto por um comedor de açaí sem granolas! Este só poderia ser coisa de um inimigo meu" - esbravejou. Ele aproveitou e foi até a parte externa que dá na saída da janela da sena do crime, pois "era o único lugar onde o criminoso, assustado, poderia ter saído". Não queria pensar em muitas possibilidades, pois estava quase certo de suas conjecturas. Só aguardava o resultado dos exames para formalizar tudo. Olhando para o piso ele não conseguiu ver marcas que, no caso, poderiam ter sido criadas pelo peso do assassino em sua fuga, viu apenas umas rachaduras nada recentes. Estranhou também o fato de não ter encontrado marcas de rompimento dos fios da cerca elétrica e nem arrombamento nos portões. Mas para isso existiam dezenas de explicações.
Distante em seus pensamentos que hora variavam entre suas curiosidades de investigador e hora pelo seu desprezo pela situação ele é chamado por um policial que se encontrava no interior da casa. Ao entrar o Detetive se depara com uma senhora que aparentava ser a mãe da vítima. Ele já a havia visto na chegada, mas não deu maior atenção, pois ela estava dando depoimento.
- Estamos encerrando nossas perguntas, o Senhor gostaria de tirar alguma dúvida com ela? - perguntou o Policial que estava com a prancheta.
- Não, estou certo que ela apenas escutou o barulho do tiro, não foi?
- Foi! - respondeu a mulher soluçando.
- Ok, me passe este depoimento gravado depois - disse Suzuki ao Policial - A senhora tem onde ficar hoje?
- Sim, tenho - respondeu.
- Então já pode ir.
A mulher, Luíza Juçara Santana, olhou para todos aparentando esperar mais perguntas, ao mesmo tempo em que parecia meio triste por não poder ajudar na busca do responsável pela morte de seu único filho. Sem perder mais tempo ela levantou e dirigiu-se para seu quarto a fim de arrumar uma mala quando foi interrompida pela voz grossa do Detetive:
- Só mais uma coisa, os portões costumam ficar abertos?
- Em momento algum - respondeu firmemente - mas temos dispositivos nos quartos que abrem o portão menor. Pablo sempre usava quando chegava algum amigo ou quando saía pela janela sem ser visto.
- E desde quando ele saía desta forma? - continuou, interessado, o Detetive.
- Na verdade, quando instalamos os dispositivos há três anos ele fazia isso muitas vezes, segundo o vizinho, mas de uns seis meses pra cá ele mal saía. Recebia os amigos em casa.
- Obrigado então, Dona Luíza Júlia, descanse e fique certo que resolveremos este caso facilmente - afirmou tentando parecer cortês.
- É Juçara - corrigiu - E muito obrigado por ter atendido ao pedido do meu marido - disse ela e se dirigiu finalmente para o quarto.
Publicado por Paulozab por volta de 1:30 AM

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Mistério em Macapá: poder e investigação na ilha dos Tucujús. (Parte I)




- Não toque na maçaneta - disse o experiente Detetive Cooki Suzuki a um policial que o acompanhava.

Estavam no segundo andar de uma residência no Bairro Santa Rita na Cidade de Macapá. No andar de baixo uma mulher de idade, chorando, dava algumas informações a um policial civil, que anotava tudo.
O Detetive Suzuki fora chamada às pressas de São Paulo para investigar o caso. Estava agora abrindo a porta do quarto do filho de uma família tradicional amapaense. Em seu interior encontrava-se o motivo de tanta movimentação que já gerava olhares curiosos de quem passava pela rua. Todos queriam entender o que tinha acontecido na casa do Juiz Marlon Santana, mas jamais poderiam imaginar que, neste momento, o jovem Rafael Santana estava sentado no meio de uma das paredes brancas de seu quarto todo sujo de sangue. Na direção do que sobrou de sua cabeça, mais ou menos há um metro e setenta centímetro do chão, encontrava-se pedaços de seu cérebro, sangue e o buraco cavado pela bala que havia atingido o rapaz. Um jovem de 25 anos, solteiro e de carreira garantida estava agora ali, sem vida.

- Encontraram a arma? - Indagou o Detetive Suzuki ao chefe da Polícia Civil de Macapá conhecido como Delegado Gerônimo.
- Sim Senhor, está em baixo da cama! - Respondeu o Delegado meio nervoso, pois ainda estava assustado com tanta movimentação provocada de uma hora pra outra.
- E por que ainda não enviaram a arma para exames? - Perguntou o Detetive que, a esta altura, olhava para os outros policiais e para o Delegado com um incômodo olhar de superioridade. Meio gaguejando o Delegado respondeu:
- Estávamos esperando pelo senhor, Detetive! Mas a Polícia Técnica também está sob suas ordens, posso chamá-la agora se o senhor quiser.
- Existem certos procedimentos que são básicos cujos resultados poderiam estar prontos e não me fazendo perder tempo, Delegado Gerônimo.

O Delegado apenas fez sinal de positivo com a cabeça e ordenou que a POLITEC entrasse. Internamente ele estava mais nervoso que o normal. Jamais imaginou que isso poderia estar acontecendo aqui no Amapá. Justo ele que havia se transferido de sua stressante situação em Porto Alegre em busca de paz e tranqüilidade na Amazônia. " Em uma cidade de menos de meio milhão de habitantes não deve acontecer muitas coisas", pensou ele antes de se transferir. Mas agora, com todas aquelas autoridades ligando ele sente que chegou a uma conclusão equivocada. Sentia-se frustrado também, pois agora tinha que aturar as ordens da figura arrogante do Detetive Suzuki. Jamais esperava passar tanta vergonha na frente de seus subordinados, "mas tudo havia de terminar bem", resmungou.

- Suponho que a janela já estava aberta quando vocês chegaram, não? - Questionou o Detetive ainda mais irônico e desdenhoso.
- Estava aberta sim! Disse o Delegado Gerônimo, irritado, mas querendo parecer firme e direto em sua afirmação.
- Tirem as digitais que podem estar nas janelas também. Aproveitem para verificar o calibre da arma, pelo menos. - Falou o Detetive com um leve sorriso no canto da boca ao proferir esta última frase.
Publicado por Paulozab por volta de 1:30 AM

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Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Mudei de endereço, esse blog tinha dado pau então mudei rsrs

www.ocontadordehistorias.blogger.com.br

Há braços!!!
Publicado por Paulozab por volta de 12:59 PM

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